sábado, 14 de abril de 2018

Os filhos e as notas da escola...


Recentemente publiquei uma fotografia de um dos trabalhos de casa da Alice e isso fez-me lembrar algumas das conversas que temos tido, com amigos nossos, sobre a importância de os miúdos terem boas notas na escola.

Claro que este tema só se aplica à Sofia e à Alice que estão no 5º e 1º ano, respectivamente.

Relativamente ao Simão e à Petra, o grande objectivo escolar passa por não apanharem muitas bronquiolites e não morderem ou serem mordidos pelos coleguinhas da sala (como é óbvio, o Simão nunca é mordido...Forte, o meu filho!!!!) - acho que as educadoras da creche vão-me matar por ter dito isto...

Já aqui escrevi (https://omeupaieodarthvader.blogspot.pt/2018/03/vida-de-casal-com-4-filhos.html) que, relativamente às duas mais velhas, nós procuramos transmitir o máximo de autonomia e, consequentemente, de responsabilidade.

A Sofia, sempre que chega a casa, tem 1 hora para fazer os trabalhos de casa e rever a matéria que foi dada. Já a Alice só faz os trabalhos de casa e, a seguir, pode ir brincar.

Não estudamos com elas e só intervimos se tiverem dúvidas. Nas vésperas de testes, às vezes, fazemos perguntas sobre a matéria que vai sair (acontece mais com a Sofia).

Nós não somos românticos ao ponto de acharmos que ter boas ou más notas seja indiferente. Pelo contrário! Vivemos num mundo cada vez mais competitivo e é óbvio que o sucesso académico pode ser uma arma distintiva na obtenção da carreira profissional que eles escolherem. Também achamos que os hábitos de estudo devem ser adquiridos desde cedo.

De facto, nós exigimos que eles (elas, neste caso) tenham boas notas e a verdade é que têm tido. Normalmente são alunas de quatros e cincos.

É claro que os miúdos não são todos iguais e, porventura, com o Simão e a Petra poderemos ter necessidade de ter uma abordagem diferente de forma a que consigam atingir os objectivos académicos que nós achamos importantes. Aliás, já com a Sofia e a Alice nós temos diferentes posturas porque elas são completamente diferentes na forma como se organizam na escola. A Alice é muito focada e assim que chega a casa, sem ninguém lhe dizer nada, senta-se a fazer os trabalhos. Chora se não pode fazer os trabalhos das férias logo no primeiro dia. É muito despreocupada e confiante com as notas que tem na escola. No outro dia estava a sentir-me culpadíssimo porque ela foi para a escola e só depois é que reparei que tinha teste. Não lhe desejei boa sorte, não lhe fiz perguntas, não lhe dei conselhos, nada... Quando a fui buscar perguntei-lhe como é que tinha corrido e se tinha respondido a tudo:

"- Respondi a tudo e respondi a tudo bem!", foi a resposta dela.

Tranquilo...

Já a Sofia é muito mais despassarada. Distrai-se com tudo e mais alguma coisa, é capaz de não saber (se nós não lhe dissermos) que tem teste no dia seguinte e, se puder fazer os TPC nos últimos 10 minutos do último dia de férias, melhor.

A questão que se coloca é se elas não poderiam ter melhores notas (tudo 5, por exemplo) se nós estudássemos com elas, ou se estudassem de forma mais vincada antes de um teste. À partida seria lógico que isso acontecesse. No entanto, no deve e no haver da coisa, nós consideramos que aquilo que se perde para conseguir esse objectivo é muito superior àquilo que se ganha. Ou seja, se elas já conseguem ter notas muito aceitáveis com aquilo que retêm nas aulas e com um reforço mínimo quando chegam a casa, não consideramos positivo que elas abdiquem de mais tempo livre, de forma a conseguirem ter notas ainda melhores. Haverá um tempo para isso... A exigência académica e o tempo dedicado ao estudo, na nossa opinião, deve ser gradual (na faculdade devem estudar mais do que no secundário, no secundário devem estudar mais do que no preparatório, e, no preparatório , devem estudar mais do que na primária). Ora, se na primária já tiverem de estudar 3h por dia, quantas é que vão estudar no faculdade?

Neste sentido, não consigo perceber muito bem a utilidade ou a mais valia de uma ferramenta como o Quadro de Mérito, nestas idades. É claro que pode ser uma forma de homenagear alguns alunos que, pela sua capacidade e disciplina, se destacam e obtêm excelentes notas, mas, por outro lado, também me parece uma forma de incentivar o excesso de horas (desajustadas, na nossa opinião) dedicadas ao estudo, simplesmente com o objetivo de "entrar"no Quadro de Mérito, o que, acima de tudo, faz bem ao ego dos pais.

(Sofia, no 1º Ano, a dormir em cima dos TPC)