domingo, 22 de janeiro de 2017

A mulher do Darth Vader numa manhã de domingo




Como ele bem explicou, sou eu quem mantém a sanidade mental nesta casa de loucos… às vezes.

Olá!

Muita gente espera pelo fim de semana chegar. Postam-se fotos das terríveis segundas-feiras, carinhas tristes são partilhadas no início de cada semana, apocalipse de maus sentimentos logo que o despertador toca. À sexta-feira tudo muda!! A multidão planeia festas, são enviados convites para guest-list´s, jantares de grupo estão ao rubro, fotos de esplanadas à beira mar… Todos anseiam pelo fim de semana chegar. Todos, menos as famílias numerosas.

 Não é fácil manter as 4 crianças entretidas em casa, num dia frio de inverno, durante tanto tempo seguido. É a loucura ao seu mais alto nível!! Começamos logo pela manhã…

Ontem dormi eu até mais tarde, hoje dorme o pai.

Acordas com o choramingar dos dois mais novos. A outra metade salta da cama como se de um dia de natal se tratasse. “É fim de semana!!! – gritam elas.”  Preparas 3 pratos de papa cerelac (sim eu tenho imensa preocupação em não abusar na quantidade de açucares que lhes dou, mas depois de um sábado em que o pequeno almoço durou mais tempo que o último filme do 007… já me estou a borrifar. Só quero que elas comam) e um biberão. O Simão come ao meu colo, as outras sentam-se à mesa e comem sozinhas.

O Simão não vai a meio e já tenho a Alice a gritar “Mãeeee, a Peta pôs a mão na papa!!!”. Olhas de esguelha, ainda com cara de sono, e vês meia manga mergulhada na tigela da papa que lhe puseste em frente. Ponho o Simão no ovo, pouso o biberão em cima da mesinha de centro  e lá vou eu com 3 pacotes de toalhitas resolver o assunto. Dois segundos depois de me levantar o nº4 começa aos gritos, a chorar, com fome. Limpo aquilo tudo ao som dos gritos do Simão, e da Alice que não se cala… “Mãeeee, o Simão está a chorar!!!”. Duas voltas na manga molhada, uma montanha de toalhitas peganhentas e pronto, assunto arrumado.

Volto para tentar calar o puto. As lágrimas já lhe correm pela cara. Biberão na boca.

2 minutos depois a nº3 termina e começa a chamar-me: “Mamã, já tá!”. Peço à Sofia para ir buscá-la e tirá-la dali. Continuo a dar biberão. A Petra vem ter comigo e quer à força toda dar o leitinho ao irmão. Acabo por ceder. É leite por todo lado… a tetina anda a dançar pela cara do miúdo. É nariz, é boca, é roupa, tudo salpicado. E ela continua… “Mamã, a Peta dá!!”

Acabado este filme e tenho dois putos para trocar de roupa (e ainda só estou acordada há 20 minutos):
-  “Sofia vai buscar lá acima roupa para a mana e o mano.”
- “Ok mãe! Já vou…” e continua a olhar de esguelha para o canal Panda que está ligado desde que uma das duas mais velhas põe o pé na sala, logo pela manhã. E lá vai ela em câmara lenta sempre com o olhar posto na TV.

Chegam os babygrows 10 minutos depois (a cada 2 tive de a lembrar do que lá foi fazer)… O do Simão já não lhe serve e o da Petra é de verão.

- “Sofia fica aqui com os manos que a mãe vai buscar a roupa. Onde foste buscar isto?? Já nada serve …!!!”

Vou num pé e venho no outro. Tempo suficiente para a Sofia ficar novamente hipnotizada pelos desenhos animados que continuam a passar na TV, para a Alice mergulhar de cabeça para cima dos puff que estão prestes a rebentar e da Petra enfiar mais uma vez o resto do leite do biberão pela narina esquerda do miúdo.

Resolvido.

Vou tentar tomar o pequeno-almoço. Tentar é a palavra certa. O Simão anda com crises de cólicas e chora como gente grande. Acalma-se ao colo ou em embalo na cadeirinha. Portanto, ou como só com uma mão e sem gritos, ou fico com os dois braços livres mas tenho um barulho de fundo ensurdecedor. Escolho a primeira opção.

Toca o telemóvel.

Um braço para o Simão, uma mão para a caneca de leite e um ombro para o telemóvel.


Ninguém merece…