sábado, 29 de abril de 2017

Aquelas birras no meio do restaurante ...

(Espancamento à Petra por me ter pedido o lanche durante um jogo do Benfica)

No outro dia estávamos num restaurante de praia e, ao nosso lado, estava também um casal com dois filhos. Os miúdos deviam ter por volta dos 3 e 5 anos e proporcionaram-nos 2 horas de observação das mais recentes técnicas pedagógicas e educacionais.
Os putos eram verdadeiros terroristas! Fizeram concursos um com o outro para ver quem é que gritava mais alto, fizeram corridas entre as mesas, fizeram competicões de saltos entre sofás, atiraram areia um ao outro, aos pais e a vários outros clientes do restaurante, etc., etc., etc,...
Os pais eram do género de quem acha que é proibido proibir, que acreditam que um tabefe no rabo deixa marcas psicológicas para o resto da vida e que a melhor maneira de mostrar a um miúdo de 3 anos que não pode deitar uma pazada de areia para dentro da sangria das outras pessoas é dialogar com ele e explicar-lhe os prós e os contras do seu comportamento.
O diálogo que se seguiu, entre o pai e o puto, após a referida pazada, foi esclarecedor da pertinência pedagógica de tão brilhante técnica:

"- Ó Tiago, não podes atirar areia aos senhores..."
"- AAAAAAAAAAAEEEIIIIIIIAAAAAA!"
"- Tiago, não grites com o pai... O pai está a falar contigo! Estou a explicar-te..."
"- AAAAAIIIAAAAAEEEEEEEEEEEE"
"- Tiago, estás a ser mau!! Assim fico triste..."
(O Tiago dá uma chapada no pai)
"- AAAAEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!"
"- Tiago!! Isso não se faz!!!"
(O Tiago atira uma mão cheia de areia para a boca do pai)
"- AAAAAUUUUAAAAAAAAA"
"- Tiago, estou muito zangado!!!"
...

E pronto!! Tenho a certeza que o Tiago percebeu claramente que procedeu mal e que nunca mais vai repetir...

Eu já estava verde! Não consigo entender como é que alguns pais não percebem que, antes de sermos "amigos" dos nossos filhos, somos pais e que temos obrigação de definir limites, dizer que não quando é para dizer que não, e orientar os comportamentos dos nossos filhos.

As nossas filhas não são perfeitas (longe disso e ainda bem!), mas tenho muito orgulho quando vejo que elas compreendem perfeitamente, desde muito cedo, o que é que podem ou não fazer e até onde é que podem ir, nas diferentes situações. É claro que, como qualquer criança, todas elas nos testaram (a Alice, então...). Tentaram esticar os limites, tentaram impôr a sua vontade, tentaram fazer valer a sua "opinião" em deterimento da nossa, fizeram birras e tentaram desobedecer às nossas regras. Mas, também, rapidamente perceberam que aqui em casa não existe uma democracia; existe uma ditadura. O pai e a mãe fazem as regras, dizem o que é que pode ou não ser feito e elas têm de obedecer (é claro que à medida que vão crescendo a argumentação e a explicação racional vão assumindo um papel cada vez maior e nos vamos "democratizando"). Era só o que mais faltava que nós, pais, nos colocássemos ao mesmo nível que uma pirralha de 3 anos!

Desde sempre que estamos de acordo, eu e a Sara, nas linhas de educação que damos aos miúdos. Temos escadas e piscina em casa, e sempre conseguimos que elas cumprissem escrupulosamente as regras de segurança que definimos. A receita tem sido simples e tem funcionado: à primeira tentativa de porem uma mãozinha na escada ou de se aproximarem da piscina sem autorização levam vários tabefes na fralda (que fazem muito mais barulho do que dor) e um ralhete de dimensões épicas. Assustamo-las tanto que, durante uns tempos, nem ao colo se querem aproximar. E isto tem funcionado praticamente para tudo... Birra a espernear no chão? Tabefe na fralda e ralhete! Levantar a mão a um avô?? Super tabefe na fralda e super ralhete...
Enfim...rapidamente percebem quais são os limites que não podem ultrapassar, e que o que os pais dizem é para ser obedecido.
Hoje em dia, tendo a Sofia 9 anos, a Alice 6 e a Petra 2, já é muito raro (pelo menos para as duas mais velhas) dar um tabefe no rabo. Elas sabem perfeitamente até onde é que podem ir. Não ficaram traumatizadas, não ficaram recalcadas, não tiveram menos mimos do que as outras crianças, não gostam menos dos pais do que as outras crianças...