segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O pandemónio por detrás da câmera...

Desde sempre que ADORO as sessões fotográficas da Anne Gueddes. Lembro-me de, em miúda, decorar os meus cadernos todos com recortes de bebés a dormir dentro de abóboras ou gémeos mascarados de ervilhas.

Quando tive a Sofia, há 9 anos, não se conheciam fotógrafos que fizessem sessões do estilo. Na Petra, a terceira, descobri, por acaso, uma na internet. Não descansei até conseguir marcar uma sessão com ela.
Acreditem que não é fácil. Este tipo de sessões são feitas entre os 10 e os 15 dias de vida da criança; portanto, as marcações são feitas bem antes da criança nascer.

O que aparece nas fotos não reflete, de todo, a logística da coisa.
Os pais chegam ao estúdio com o bebé, entram numa sala aquecida a ponto de todos nós querermos andar nús.
São escolhidos, com alguma antecedência, os conjuntos que o bebé vai fazer, mas mal chegas ao local deparas-te com 300 tipos de tutús, 250 suspensórios diferentes, um armário de cima abaixo só com gorrinhos e 10 gavetas que transbordam ganchinhos de cabelo. Um verdadeiro oásis para qualquer mãe!!
Portanto, mal entramos na sala, começamo-nos logo a coçar e a pensar que talvez me devessem ter dado 3 meses e uma folha excel para analisar todos aqueles adereços e conjuntos. É dificil escolher...

A sessão da Petra foi digna de um Óscar. Entrámos, fotografámos 3 horas sem parar, sempre com a miúda ferrada a dormir, e fomos embora. A fotógrafa literalmente fez dela o que quis. Foi mão aqui e acolá. Mudou de roupa umas 10 vezes, virou a miúda do avesso e ela nem sequer abriu a pestana.

O Simão foi completamente diferente.
10 minutos para colocar os dedos da criança milimétricamente simétricos por de baixo da cabeça, e bastava ela respirar um bocadinho mais alto e ele desmanchava aquilo tudo. É ela a disparar com a máquina fotográfica e a criança a fazer um chichi de repuxo na manta que combinava com o cenário, que combinava com o gorro e que, por sua vez, combinava com o peluche.
Além disso, como ele é um pouco mais irrequieto o "detrás das câmeras" é composto por um pai de cóqueras com um aquecedor apontado à criança, uma mãe com uma chucha em punho e um garrafão de 5L de aero-om na mão e uma fotógrafa com uma metrelhadora a disparar a cada meio segundo.
A dada altura estão a mãe e o pai a transpirar que nem uns índios na selva, como se de uma caça ao elefante se tratasse.

No final vale cada segundo...